90 ANOS

CARLOS SAID: PEQUENA HISTÓRIA DE UM “MAGRO DE AÇO”

Nascido em 1931, Carlos Said vem de uma época em que as pessoas ainda trocavam impressões sobre a vida e o cotidiano da cidade

14/01/2021 09h43Atualizado há 1 ano
Por: Redação
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Carlos Said, o
Carlos Said, o

 

Carlos Said, o conhecido "Magro de Aço", está completando hoje 90 anos de idade. Uma vida que ele vive intensamente. É oriundo de uma época em que havia maior proximidade entre o ser humano, em que as pessoas ainda trocavam impressões sobre a vida e sobre o cotidiano da cidade, em que pais e filhos ainda se tratavam como amigos e em que a violência era algo tão distante que em momento algum perturbava o hábito diário das famílias sentarem nas calçadas para conversar no finalzinho da tarde e pela noite adentro, enquanto as crianças ficavam brincando no meio da rua.

Nasceu em 14 de janeiro de 1931, época em que o cinema estava dando os seus primeiros passos mesmo na fantástica indústria de sonhos de Hollywood e na qual o automóvel era uma novidade tão grande que os meninos e alguns adultos, em Teresina, corriam com medo diante da aproximação de um deles. Pouco tempo antes o revoltoso Luiz Carlos Prestes havia passado por aqui com a sua famosa coluna, espalhando pânico no governo, que se encarregava de dividi-lo com a população.

Naqueles tempos, Teresina tinha entre de 25 a 30 mil casas, a grande maioria de palha, abrigando uma população de aproximadamente 70 mil habitantes. A cidade existia num perímetro bastante limitado, sendo que de leste a oeste compreendia o espaço entre os rios Parnaíba e Poti e de norte a sul entre a rua da Glória (hoje Lizandro Nogueira) e rua do Barrocão (atual avenida José dos Santos e Silva).

As notícias chegavam principalmente através do rádio, que ainda não existia por estas bandas, e da revista “O Cruzeiro”, que chegava com até 45 dias de atraso. A velocidade com que as informações são transmitidas hoje certamente deixaria os teresinenses daquele tempo em parafuso.

Na primeira Copa do Mundo, realizada em 1938, Carlos Said tinha apenas sete anos de idade, mas lembra claramente dos lances emocionante captados pelo rádio. Ele afirma que daí nasceu sua paixão pelo futebol e pelo jornalismo, sentimento que o levaria a implantar em 1943, na imprensa do Piauí, a crônica esportiva. Tinha apenas 12 anos e fugia de casa para escrever sobre esportes no Jornal do Piauí, do lendário José Vieira Chaves.

“Essa minha paixão pelo futebol era muito questionada. As pessoas diziam que era um esporte para gente de baixo escalão, de negros e pobres. Era muito discriminado por isso”, rememora Said, do alto dos seus 74 anos muito bem vividos, numa entrevista concedida ao autor destas linhas, em 2005. Hoje, é um profissional reconhecido, porque o futebol é o esporte mais popular do planeta. “Foi difícil”, complementa.

Em sua época de Jornal do Piauí, Carlos Said foi contemporâneo de grandes nomes, a exemplo de José Camilo da Silveira, Celso Barros, Álvaro (...), dentre outros. Com o surgimento da Rádio Difusora, em 1948, logo encontraria no rádio o veículo para propalar seus comentários, alguns ácidos, acerca do comportamento de atletas e dirigentes. Fez fama e escola.

_FUTEBOL, MAGISTÉRIO E COMUNICAÇÃO

Em 1946, mais precisamente em 1o de março, novamente movido pela paixão, Carlos Said começou a jogar no Ríver Plate Club. No dia 7 de setembro de 1947, o clube sagrou-se tricampeão estadual, sob o comando do capitão Adão Vieira e tendo Said como um dos principais jogadores. Jogaria ainda no Flamengo e no Botafogo.

Em 1964, aos 33 anos, estreou na Rádio Pioneira. Foi também naquele ano que ganhou o apelido que o acompanha até hoje. O fato foi motivado por uma tragédia.

Numa viagem à cidade vizinha de José de Freitas, a apenas 52 km da capital, Carlos Said sofreu um violento acidente automobilístico. “Escapei por pouco”, diz. Internado no apartamento de número 78 do Hospital Getúlio Vargas (HGV), recebia todos os dias uma grande quantidade de visitas. Um dos visitantes, não sabe precisar quem, falou ao sair que “este sujeito é mesmo um ‘magro de aço’”. O apelido pegou e não há, hoje, quem não o trate dessa maneira, seja ou não conhecido.

Em 1983, perdeu a voz durante a transmissão do jogo Flamengo e Motoclube, pelo campeonato brasileiro da segunda divisão. “Previ um gol do Flamengo e de repente fiquei sem voz”, afirma.

Foram longos anos de tratamento para recuperar a fala, mas ele conseguiu. E obteve muitas outras conquistas, a exemplo do diploma de bacharel pela Faculdade de Direito do Piauí, em 1956. A carreira no magistério foi iniciada antes, quando ainda era estudante do Colégio Estadual Leão XIII. Para pagar os estudos ele dava aulas no primário e curso noturno em substituição aos professores titulares.

Mais tarde, participou do Movimento de Educação de Base da Igreja Católica, ministrando aulas através da Rádio Pioneira, programa implantado pelo bispo D. Avelar Brandão Vilela. Ingressou, posteriormente, na Universidade Federal do Piauí, mais especificamente como professor dos cursos de História, Geografia e Filosofia.

Tem na família e nos amigos suas principais conquistas, conforme declarações do próprio. (Toni Rodrigues)

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