CAMPANHA ANTECIPADA

Pro Municípios, o programa que é uma pegadinha para os prefeitos e vereadores

Governador e secretário de Fazenda lançam campanha para municípios. Comparação com Mução tem dois motivos

09/06/2021 07h41Atualizado há 2 meses
Por: Redação
Fonte: Fonte: matéria autoral
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Pegadinha. Pro Municípios é chaaaama de Rafael Fonteles para prefeitos. Lembrança do humorista Mução (Fotos/Reprodução
Pegadinha. Pro Municípios é chaaaama de Rafael Fonteles para prefeitos. Lembrança do humorista Mução (Fotos/Reprodução

O secretário de Fazenda, Rafael Fonteles, está lançando, juntamente com o governador Wellington Dias (ambos são do PT), o programa Pro Piauí Municípios, que é a peça de campanha antecipada do titular da Sefaz para as eleições 2022.

Os dois perceberam que somente o Pro Piauí não seria suficiente e que seria necessário criar alguma coisa para despertar o interesse dos prefeitos, que se mantêm, por enquanto, bem distantes dos propósitos do PT local.

Por conta do Pro Municípios, Rafael Fonteles está sendo comparado pelos seus críticos ao humorista Mução, aquele mesmo, do rádio e do YouTube, que se faz de velho e realiza pegadinhas com seus ouvintes, no intuito de chamá-los pelos apelidos e com isso irritá-los profundamente em público.

>>> Novo programa de campanha antecipada de Rafael Fonteles. Impossível não lembrar de Mução, o "rei das pegadinhas" (Foto/Twitter)

_POLÍTICA E HUMOR

O que se explica sobre o apelido do secretário é em razão de um mote utilizado pelo humorista paraibano, no qual afirma entre risos: "Chaaaama..." O Pro Municípios seria um "chama" para os prefeitos.

Ambos podem ser considerados os reis da pegadinha. Sendo assim, seriam dois os motivos: um, o chamamento ironizado pela impossibilidade financeira do caixa do estado; dois, a pegadinha visível - os que caírem o farão simplesmente porque querem. Eles sabem, antecipadamente, que estão sendo enganados.

O Mução é um personagem sertanejo, mas sabemos que Fonteles não tem nenhuma identificação com o sertão. Ele é um sujeito da cidade e que passou a vida inteira em ambientes de luxo, mantendo um alto padrão depois que seu partido, o PT, assumiu o poder em 2003.

Temos que chamar os prefeitos para o nosso lado, teria dito Wellington, em gabinete, segundo interlocutores, manifestando preocupação com o distanciamento de Fonteles em relação às bases. O candidato fabricado não está pegando. Não está decolando. Não adiante ter apoio de deputados e não contar com os prefeitos.

_DINHEIRO SERIA DO FUNDEF? OU...

O que se questiona, ainda, sobre o Pro Piauí Municípios é: como governo pode anunciar tal montante de recursos (R$ 500 milhões) para investir nos municípios se não tem dinheiro para tanto?

Pelo contrário. O caixa do estado está bastante afetado pelas circunstâncias. O próprio governo reconhece, intramuros, que se não os repasses do Covid feitos pelo governo federal, a coisa teria desandado de vez.

Ademais, tem a constatação de que, em relação aos municípios, não está repassando nem mesmo os valores previamente acordados do custeio e manutenção dos hospitais de pequeno porte. A dívida está chegando perto dos R$ 180 milhões, de acordo com um prefeito consultado pela reportagem.

_FALTA DE GRANA CRÔNICA

O governo está tão afetado pela falta de grana que ano passado teve que recorrer a um artifício perverso para tentar garantir alguns valores a mais. Vem garfando mensalmente dos vencimentos de aposentados e pensionistas a quantia de 14% dos seus proventos. 

>>> Muitos se perguntam de onde vem o dinheiro para asfalto de péssima qualidade que está sendo distribuído pelo governo para apaniguados políticos no interior. Está sendo chamado de asfalto fake. Ou forçadamente ecológico (Foto/CCOM)

E existem suspeitas muito sérias sobre a destinação de recursos de empréstimos realizados anteriormente, a exemplo do Finisa (Financiamento da Infraestrutura) que deveria financiar recuperação de estradas. As rodovias estão que nem tábua de pirulito e isso ocorre em todo o estado.

De onde virá, portanto, o dinheiro para bancar o programa de convencimento (para não usar o termo adequado) dos prefeitos, vereadores e lideranças políticas? Seria dinheiro dos precatórios do Fundef? Seria dinheiro dos repasses de combate ao Covid que teriam sido economizados com a desativação de hospitais de campanha? Chaaaamaaa...

_NAUFRÁGIO EXTEMPORÂNEO

Semanas antes o governador recebeu a recomendação de um deputado da base que não é do PT. Ele disse ao chefe do Executivo e comandante do barco naufragado que desgoverna o Piauí faz 18 anos que a maioria dos prefeitos e vereadores está rebelada e muitos até falam em deixar para se posicionar mais tarde, ou talvez mais perto das eleições.

Wellington Dias imediatamente entendeu a mensagem. Os prefeitos querem um adjutório, um estímulo. E foi assim que nasceu o Pro Piauí Municípios. Seria um "chaaama" para prefeitos. Foi recomendado ao secretário de Fazenda que ele deve ter uma postura mais popular, vestir-se menos formalmente e começar a andar em feiras livres. 

O problema, nesse caso, ponderou o governador, é que a pandemia persiste e seria difícil justificar aos eleitores esse tipo de movimentação atípica a tanto tempo do pleito.

Para ele, a experiência de 2020 já foi negativa demais. Ele decretou lockdown em vários momentos, fez aberturas esporádicas, ao mesmo tempo em que se movimentava nas aglomerações em ginásios cobertos e fechados, e comícios realizados em praça pública com grande ajuntamento de populares regiamente convocados.

_DIÁLOGO SOTURNO

Fonteles foi aconselhado a não se importar com ataques. Nem com apelidos. O humorista Mução ainda não foi consultado sobre a comparação infeliz. O parlamentar que testemunhou o diálogo soturno sorri ao comentar sobre o mesmo. Os prefeitos ainda resistem, de acordo com pesquisas encomendadas e não divulgadas por Karnak. Ué, mas não divulgadas por quê? Esse é assunto para uma próxima matéria. Chaaaamaa... (TR)

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