CHEIAS

A história das enchentes em Teresina; tudo começou em 1842

Enchentes aconteciam na região mesmo antes da fundação da nova capital piauiense

05/01/2022 08h56Atualizado há 2 semanas
Por: Redação
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Meninos se divertem na avenida Beira Rio; Teresina antiga
Meninos se divertem na avenida Beira Rio; Teresina antiga

Muitas cheias foram registradas em Teresina ao longo da história. Mesmo antes da fundação da nova capital, quando era apenas um projeto na mente dos antigos moradores da Vila do Poti. Monsenhor Chaves relata em “Subsídio para a História de Teresina” que “devido às rigorosas enchentes de 1842, que levaram à submersão e destruição de casas, perda das lavouras, bem como à disseminação de várias doenças (febres) e mortes, o Governo Central, pela Lei nº 140, de 29 de novembro de 1842, autorizou que se transferisse a Vila para outra região mais apropriada, cujo nome passaria a ser Vila Nova do Poti.”

Ainda não havia a ideia de que seria na Chapada do Corisco. Ainda não se tinha, também, a noção de que a nova cidade se chamaria Teresina. E muito menos de que seria uma homenagem à Imperatriz do Brasil. Tampouco de que se tornaria a capital da província. O fato é que as cheias seriam uma constante na vida do lugar. Em 1924 registra-se uma grande e impactante enchente do Parnaíba. Dois anos depois, uma cheia ainda mais grave, segundo mensagem do então governador Matias Olympio de Melo, transmitida em 1º de junho de 1927 aos senhores deputados estaduais, na Assembleia Legislativa: “Mal saídos da refrega que, convulsionando o Piauí, trouxe em resultado uma série de prejuízos de toda sorte, com o decréscimo das rendas, fortemente acentuado, sobreveio a enchente do rio Parnaíba e do Poti, ocasionando novos e terríveis malefícios à população já esgotada e ao Estado, tão fundamente atingido no seu aparelho econômico-financeiro.”

ABASTECIMENTO AFETADO

O governador disse aos deputados que a cheia de 1926 chegou a ameaçar o abastecimento de energia elétrica na capital. Era feito por usina elevatória situada na margem do Parnaíba. Disse ele: “Os prejuízos causados pela inundação de 1924 foram enormes. Subiram, porém, de vulto ultimamente (1926), quando o nível das águas de mais de um metro excedeu ao plano atingido naquele ano, e, de mais de noventa centímetros, ultrapassou o piso central de eletricidade, só a muito custo e esforço defendida.”

A enchente de 1926 durou apenas 72 horas, no entanto causou estragos seríssimos. “Pois a de 1926 exorbitou daquela, no volume e nas consequências. Belém (hoje Palmeirais) ficou, de todo, sobre as águas, como Uruçuí, Amarante, Teresina e outras localidades marginais tiveram grande parte de suas casas tomadas ou destruídas. Essa calamidade nova (1926) causou maior desequilíbrio ainda à arrecadação estadual.” Na capital, as inundações chegaram até a rua Senador Teodoro Pacheco. O grotão (hoje avenida José dos Santos e Silva) ficou completamente encoberto pelas águas.

"MOLECADA SE DIVERTE"

O professor e pesquisador Reinaldo Coutinho evidencia, em artigo, que acervo do Arquivo Público do Estado mostra “a molecada se divertia banhando em plena rua.” Sobretudo em frente à Companhia de Fiação e Tecidos (hoje Lojão do Armazém Paraíba). “Essa pode ter sido a maior enchente da história de Teresina”, enfatiza. Houve outras cheias consideráveis nos anos de 1960 e 1974. Em 1960, as águas atingiram a Igreja de Nossa Senhora das Dores, na Praça Saraiva, de acordo com relatos do Jornal “O Dia”. No começo da década de 1970, para proteger seus estabelecimentos, os comerciantes construíram pequenas elevações nas portas. O objetivo seria conter a entrada das águas em caso de novas enchentes.

Naquele período, o Governo do Estado construiu dique de proteção na zona norte da capital, servindo o mesmo também de avenida numa extensão de cinco quilômetros. Implantou também sistema de bombeamento nas dezessete lagoas existentes na região. Nem assim conseguiu conter o avanço das águas. Em maio de 1985, conforme registro do jornalista e escritor Zózimo Tavares, Teresina vivenciou outra de sua devastadoras intempéries. “O transbordamento do rio Parnaíba alagou completamente a Avenida Maranhão e ruas do Centro da capital piauiense. Muitas lojas ficaram submersas. Os veículos tiveram que mudar o seu trajeto. Por dias seguidos, a cidade virou um caos.

A MAIS TERRÍVEL DE TODAS

Mais recentemente, em 2009, a capital foi atingida por uma nova inundação. Considerada a mais terrível de todas. O então prefeito Sílvio Mendes teve que decretar estado de calamidade. Vários pontos importantes da cidade foram interditados, como acesso à ponte Wall Ferraz, avenida Cajuína; ligação entre Shopping Riverside e EuroBusiness, na avenida Raul Lopes, zona Leste; parte da avenida Marechal Castelo Branco, por baixo da ponte JK; estrada da Alegria, na zona Sul; parte da avenida Freitas Neto, no Mocambinho, zona Norte; e balão da avenida Miguel Rosa, nas proximidade do Piauí Center Moda, zona Sul. O então presidente da República visitou Teresina e prometeu providências que nunca se realizaram. A calamidade está acima da emergência porque compromete substancialmente a capacidade de resposta do poder público. (Toni Rodrigues)

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