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Política 1996

FIRMINO VERSUS ALBERTO

Firmino começou na política em 1996 enfrentando o então deputado Alberto Silva

07/04/2021 08h58 Atualizada há 2 semanas
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Por: Redação
Foto da campanha eleitoral de 96 para prefeitura da capital
Foto da campanha eleitoral de 96 para prefeitura da capital

Toni Rodrigues/EDITOR

Em 1996, quando Firmino Filho foi lançado para a Prefeitura, tinha apenas 32 anos de idade e um por cento da preferência em pesquisa realizada pelo IPOP (Instituto Piauiense de Opinião Pública). Enfrentaria um mito de 84 anos e que detinha, então, cinquenta e dois por cento da preferência popular chamado Alberto Silva, e cujo discurso principal se baseava no bordão “Teresina e Alberto se entendem”.

Firmino não tinha nenhuma experiência administrativa, exceto pelo fato de ter exercido, durante a gestão do professor Wall Ferraz, o cargo de secretário municipal de Finanças. Alberto fora prefeito de Parnaíba, deputado estadual, duas vezes governador e estava no exercício do mandato de deputado federal. É verdade que estava com a credibilidade bastante abalada, em virtude do desastroso segundo governo que comandara. Mas também era verdade que mais de oitenta das ações de infraestrutura da capital foram construídas por ele.

Foi uma campanha dura para ambos os lados. Teresina ficou dividida. As promessas eram muitas. Dez mil empregos em quatro anos. Aumento de salários para o funcionalismo - “tudo pago de uma vez só”. Asfalto branco para diminuir a intensidade do calor. Rua climatizada. Climatização também nas paradas de ônibus. Municipalização e ampliação do metrô. Shopping do Camelô. Emprego, emprego, emprego... Teresina tinha, à época, cerca de cinqüenta mil desempregados.

Escrevi no jornal “Correio do Piauí”, em texto intitulado “Nos limites do imaginário”: “Querem transformar Teresina numa Welfare State”, numa alusão ao Estado do Bem-Estar Social implantado nos países nórdicos.

Como eu disse, foi uma campanha difícil. Havia denúncia de parte a parte. O jornalista Tomaz Teixeira, escalado como “batedor” oficial do PMDB, acusava o então prefeito Francisco Gerardo de usa a máquina da Prefeitura em benefício da candidatura de Firmino. Denunciou o caso da merenda enterrada. Em duas escolas do Estado - unidades Escolares Freitas Neto, no conjunto Dirceu II, e José Darcy Araújo, avenida Nossa Senhora de Fátima, bairro Jockey Club.

Foram descobertas várias caixas de bolachas e pacotes de macarrão com a marca Mapil - empresa pertencente ao pai do então candidato do PSDB. A acusação era de que a Secretaria de Estado da Educação, comandada pelo professor Ubiraci Carvalho, um dos coordenadores da campanha de Firmino Filho, tinha comprado em demasia, o que provocou o apodrecimento do material.

Não deixou de haver comparações entre Firmino Filho e Fernando Collor de Mello, ex-presidente da República que renunciara em 1992 após uma série de denúncias de corrupção, desde o modo de falar, aos gigantescos outdoors espalhados por toda a cidade, que mostravam o jovem tucano no esplendor da juventude e com um discurso arrojado e muito parecido com o de Collor de Mello.

Tomaz Teixeira obteve informações seguras sobre a localização da merenda e convocou a imprensa, mais especificamente o jornalista Donizetti Adalto, da TV Meio Norte, que trajado tal e qual Indiana Jones, compareceu aos locais para documentar a escavação, atos que reuniram centenas de milhares de curiosos e aumentaram indubitavelmente a popularidade do apresentador.

No programa eleitoral do PMDB, também surgiram denúncias contra a administração de Francisco Gerardo, vice de Wall Ferraz e que assumira após o falecimento do mestre. Toda a campanha foi feita com base na memória de Ferraz. O jornalista Genésio Araújo costumava dizer: “Eles estão fazendo a campanha com o féretro de Wall nas caminhadas e comícios.”

Contra Francisco Gerardo, pesavam acusações de que a avenida Zequinha Freire, que estava sendo construída na zona Leste de Teresina, tinha por objetivo beneficiar loteamento da família do próprio prefeito. As denúncias partiram do então candidato do PL (Partido Liberal), deputado Xavier Neto. Várias reportagens foram produzidas pela imprensa de Teresina. A cidade ficou dividida entre Firmino Filho, que representava a continuidade de um estilo sereno e eficaz representado pelo professor Wall e Francisco Gerardo, e pela audácia e capacidade realizadora do engenheiro Alberto Silva.

Alberto Silva também não ficou livre de denúncias. O deputado Leal Júnior disputou a eleição pelo PFL. Acusou Alberto de praticamente falir o Estado em sua segunda administração. Atrasou salários de servidores, prejudicou o ano letivo de 1990 com os professores sendo forçados à greve e espancou e prendeu servidores que ousaram protestar contra o estado de coisas. Entre outras acusações, foi chamado de “sonhador”.

“Seus sonhos custaram muito caro ao Estado e podem levar Teresina à falência”, declarou Leal, em discurso na televisão.

Durante a campanha, Teresina enfrentou uma epidemia de dengue. Entrevistei Alberto Silva. “Qual a melhor solução para enfrentarmos a epidemia?”

“É fácil. Vamos trabalhar com um sistema de aspersão por helicóptero. Vamos aspergir, nas áreas mais afetadas da capital, o remédio contra o mosquito Aedes Aegypt. Ele não terá como escapar. Já fizemos, inclusive, contato com a Força Aérea, porque poderemos utilizar também jatos...”

A eleição foi o segundo turno. Diferença mínima entre os dois candidatos. A TV Clube realizou debate dois dias antes da eleição. O IPOP fez pesquisa e constatou empate técnico. Firmino ganhou por pouco, muito pouco. Tomaz Teixeira afirmou, na ocasião, que haveria um “terceiro turno”.

“A eleição foi corrompida. A Prefeitura deu a vitória ao Firmino”, declarou.

No pleito seguinte, Firmino e Alberto se juntaram e fizeram campanha para a prefeitura com Marcos Silva, filho de Alberto, na condição de vice.

Coisas da política.

*Do livro UM REPÓRTER, de autoria de TONI RODRIGUES

>>> Confira abaixo entrevista em que Firmino Filho fala sobre projeto Lagoas do Norte e eleições 2018, concedida ao jornalista Toni Rodrigues, então diretor da FM Cultura de Teresina, em 26 de junho de 2018:

 

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