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Política OPERAÇÃO TOPIQUE

A trinca de ases do governador e a missão de silenciar o chefão da máfia

Velhos amigos do PT recebem a missão de domar o explosivo Luiz Carlos Magno Silva, cabeça do esquema Topique na Seduc

12/10/2020 06h49 Atualizada há 2 semanas
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Por: Redação
Wellington aciona ases petistas para domar empresário LC que está irriquieto e tem muito a dizer
Wellington aciona ases petistas para domar empresário LC que está irriquieto e tem muito a dizer

Três nomes configuram no momento grande importância para os projetos futuros do governador Wellington Dias (PT). São eles: Merlong Solano, deputado federal pelo PT; e seus irmãos Décio e Maurício, ambos advogados.

O governador está confiando neles para resolver impasse com o empresário Luiz Carlos Magno Silva. LC, como é mais conhecido, tem causado muita apreensão ao chefe do executivo estadual.

CONHECIMENTO E DINHEIRO

Tudo porque sabe demais. E porque movimentou muito dinheiro da Secretaria de Educação durante gestões de Rejane Dias, deputada federal (mesmo partido) e mulher do governador.

Luiz Carlos é um dos chefes da organização criminosa que se infiltrou na Seduc para desviar valores, até agora apurados, da ordem aproximada de R$ 200 milhões. É a chamada máfia do transporte escolar.

Mas, qual a importância dos três irmãos Solano neste episódio? O que eles têm a ver com tudo isso? Na verdade, são todos ligados pelo ponto comum da amizade partidária e do longo relacionamento.

"ESTOU PRECISANDO DE UM FAVOR"

No final de julho, Wellington manteve contato com seu escudeiro Merlong, ex-secretário de Governo e que havia recém assumido a Câmara por conta do falecimento de Assis Carvalho.

"Preciso de um favor", disse, sem rodeios. "Pois não, Wellington", falou Merlong, que o trata sempre pelo primeiro nome. Os dois são velhos camaradas do petismo sindical. Aliás, poucos chamam o governador pelo nome.

"O Maurício é muito amigo dele, não é? Preciso que converse com ele, com o Décio, veja o que eles podem fazer pra manter esse cara tranquilo", teria dito o chefe do Executivo. Estava se referindo ao chefe da máfia, Luiz Carlos.

POSSIBILIDADE DE DELAÇÃO

Existe muita coisa cabeluda no esquema. Coisas que foram ditas e publicadas. Outras que permanecem sob o manto inquebrantável do segredo de justiça. Até que um juiz decida colocar tudo abertamente.

A atitude do governador demonstra que nem ele sabe de tudo o que se passou na Seduc durante a atuação do grupo. Que, por sinal, de acordo com a Polícia Federal, persiste. Mesmo com todas as operações realizadas.

O MAIS DEVASTADOR DE TODOS

Luiz Carlos Magno Silva é considerado pelo governo como o mais devastador de todos. Detentor de segredos inconfessáveis. Precisa ser contido. Há dois meses e algumas semanas que quase diariamente é assediado por um dos membros do grupo Solano.

"O governador pediu ao Merlong, que falou com o Décio, que repassou para o Maurício. A orientação é cercar o LC", disse um ex-secretário com quem conversamos demoradamente na última semana. "Ao colocar outros para falar com o Maurício o governador desaparece da história. É como se não tivesse partido dele. Enfim, ele pode alegar isso, né?"

O PROFESSOR QUE VIROU MILIONÁRIO

LC Magno Silva, segundo denúncia do MPF, exerceu o cargo efetivo de professor na Seduc de 1998 até julho de 2014, com remuneração líquida de cerca de R$ 2.500,00. Foi filiado ao PT (Partido dos Trabalhadores) entre 2003 e 2013. 

Entre 2008 e 2009, quando governava o Piauí a referida agremiação partidária (PT), Luiz Carlos Magno Silva exerceu o cargo comissionado de Superintendente Institucional da Seduc, responsável por estabelecer contatos com gestores públicos municipais e definir políticas públicas de transporte escolar.

"Advêm justamente desse período em que o acusado Luiz Carlos Magno Silva exerceu tal cargo em comissão na Seduc os primeiros registros de irregularidades em contratos de transporte escolar envolvendo empresa hoje vinculada à organização criminosa denunciada, a Charter Transportes (atual Sousa Campelo), conforme consta em parecer do Ministério Público de Contas do Piauí", assinalam os procuradores federais Marco Aurélio Adão e Tranvanvan da Silva Feitosa.

A MINA DE OURO DO ESQUEMA

Palavra dos procuradores:

"Desenhava-se aí o já citado modelo ilícito de contratação de serviços de transporte escolar no Piauí que envolvia, em suma, fraudes em processos licitatórios mediante conluio de empresas interligadas e supostamente concorrentes, muitas vezes com a participação dolosa de agentes públicos, bem como, na sequência, superfturamento dos valores pactuados e subcontratação dos serviços de transporte com moradores do local, com a empresa contratada figurando como mera intermediária e auferindo lucros de cerca de 40% do valor pago pelo ente público. No referido modelo, além disso, uma vez realizada a licitação fraudada e contratadas as empresas do grupo criminoso, outros entes públicos, cooptados pela organização ou a ela vinculados por laços políticos, celebravam novos contratos com as empresas por meio de adesão a atas de registro de preços, multiplicando, assim, o potencial das fraudes licitatórias e os ganhos ilícitos do grupo à custa do erário, inclusive com a malversação de recursos federais oriundos do FUNDEB e do PNATE."

EMPRESÁRIO DA NOITE PRO DIA

Após exercer o referido cargo em comissão na Seduc, Luiz Carlos Magno Silva, com a experiência e os contatos que angariou na área de serviçode transporte escolar para órgãos públicos, passou a exercer a função de empresário. "Constituiu e adquiriu empresas e cooptou dezenas de colaboradores, montando o esquema criminoso investigado", pontua a denúncia do MPF.

Passou a comandar então uma verdadeira organização criminosa, desde 2012 e até os dias atuais, organização essa cuja atividade principal é fraudar licitações e obter lucros indevidos à custa do erário por meio do superfaturamento de contratos de transporte escolar com órgãos públicos do Piauí e do Maranhão.

FIQUE TRANQUILO, GOVERNADOR

Delação premiada. Isso pode acontecer. LC Magno Silva tem muito a dizer, avaliam procuradores federais. Outros nem tanto. Perderam o time da história. Caso de Ronald Moura, tenente coronel dispensado em agosto de Karnak por conta de suas implicações no esquema.

Coisa séria até demais. Ele podia ter falado. Talvez tivesse muito a dizer. Mas agora não interessa mais. Os procuradores já conseguiram por outros meios. Escutas telefônicas, documentos, depoimentos, revelações.

Quanto a LC. Bem, a coisa com ele é diferente. Áudios de escutas telefônicas revelam que ele agia como um grande superintendente em relação ao esquema. O verdadeiro cabeça de todas as operações. Em muitos casos era mais assediado que a primeira dama Rejane.

Os ases disseram ao governador que ficasse tranquilo. Luiz Carlos é gente boa. Tem cacife pra aguentar tudo calado. Ele suporta porrada sem abrir a boca. Wellington Dias não sabe até que ponto isso é verdade. Mas está pagando pra ver. Enquanto isso, outros escândalos pipocam quase que diariamente em torno do mesmo assunto.

A reportagem tentou ouvir a versão dos mencionados. Nenhum deles se manifestou até então. Mas informamos que o espaço está disponível para, caso queiram, exporem suas respectivas versões. (Toni Rodrigues)

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